Wednesday, June 6, 2007

Lista de coisas agradáveis

Encontrar um livro que nos marcou bastante na infância e relê-lo, ainda no meio da confusão e desarrumação do quarto,

a sensação de cortar o próprio cabelo, especialmente depois de ter sofrido por algo - quer porque alguém de quem gostamos se nos dirigiu de modo abrupto depois de não nos termos feito entender; porque nos chamaram nomes (feios, na mente deles); porque fizemos algo de que nos enojamos e arrependemos; porque nos rejeitaram sexualmente ou nos fizeram cair o nível de auto-estima; porque nos sentimos violadas ou, pior, putas ou ainda pelo simples prazer de ver o cabelo cair e sentir a necessidade de sentir a força da tesoura no cabelo satisfeita,

empurrar os botões de borracha do telecomando com a ponta dos dedos e cravar-lhes as unhas no final, num movimento descendente e circular,

ver um "filme domingueiro" no sofá ao mesmo tempo que se come leite morno com bolachas polvilhadas com chocolate em pó,

ir a um concerto de um artista ou banda que não se conhece e adorar, e ainda melhor se conseguirmos desfazer-nos da timidez e dos preconceitos e da auto-consciência dos outros em relação ao nosso corpo (que nunca corresponde aos desejos dos outros mas, principalmente, aos nossos) e levantarmo-nos da cadeira e dançar em frente ao palco - e chamar o resto da audiência para dançar também,

entrar num espaço e encontrar aquela pessoa, que nos cumprimenta com o seu sorriso esplêndido,

um abraço - em qualquer altura,

acordar de manhã, sem sono, bem-disposta, e aproveitar o dia,

o sorriso de alguém,

receber um convite para sair ou algo que alguém fez para nós com as suas próprias mãos a pensar em nós,

não precisar de acabar uma frase para ser compreendida,

ouvir uma música com que se cresceu a ouvir ao entrar num café, bar ou festa, e cantá-la e dançar ao mesmo tempo,

beber um chá preto, muito devagar, enquanto se aprecia a cor dourada do pôr-do-sol cair e caiar as árvores e os edifícios circundantes,

beijar, muito devagar e suavemente, saboreando o beijo como se fosse uma delícia rara do mar,

um beijo roubado,

sentir-se realizada, principalmente depois de uma fase de fatiga psíquica e física devido a uma época de trabalho em demasia,

acordar com a voz daquela pessoa com quem mais nos sentimos bem,

ouvir um "Até amanhã, beijos!"


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